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CAEd recebe secretário de educação superior do MEC

O CAEd recebeu, essa semana, o professor Paulo Barone, secretário de educação superior do Ministério da Educação e também docente do Programa de Pós-graduação Profissional em Gestão e Avaliação da Educação Pública do CAEd/UFJF. O professor levantou pontos relevantes de seu trabalho e pontuou alguns caminhos e desafios da educação superior no Brasil.

Há dois anos na secretaria, Barone afirma que, ultimamente, está focado em retomar a dimensão política da gestão. Ele acredita em uma nova perspectiva para o futuro da educação superior brasileira. “Essa janela pode ser aberta com uma nova forma de institucionalidade que permita à universidade gerir suas atividades-fim de maneira muito mais flexível do que os organismos atuais podem fazer. Esse trabalho que nós vamos fazer em relação à UFJF e ao CAEd pode ser, certamente, muito pioneiro nesse campo”, destaca Barone.

A pretensão, segundo o secretário, é que seja possível abrigar iniciativas de universidades que desenvolvem competências em um campo específico de atividade, como faz o CAEd na área das políticas públicas educacionais e, em particular, no tema da avaliação da educação e todos os seus correlatos. Ainda sobre a educação superior, Barone destacou a ampliação da oferta, informando que a taxa líquida de jovens com idades entre 18 e 24 anos subiu significativamente. Ele considera necessário, diante desse quadro, repensar a diversidade de modelos institucionais e a arquitetura dos cursos de graduação.

Abertura para pós-graduação profissional

Outro ponto importante destacado por Barone diz respeito aos programas de pós-graduação profissional. O secretário afirma que os programas de mestrado e doutorado brasileiros são, tipicamente, acadêmicos, mesmo quando ligados a áreas profissionais, como é o caso do Direito e da própria Educação. “A maior parte dos nossos programas de educação é voltada à formação de recursos humanos para a reflexão sobre os fundamentos da educação, não se trata, portanto, da proximidade do fenômeno educação do ponto de vista prático”, avalia. A expansão dos cursos profissionais, segundo o secretário, faz parte do escopo da diversificação do formato dos programas de pós- graduação.

“Os programas de mestrado profissional já estão relativamente consolidados no Brasil. Entende-se, em muitas áreas de conhecimento, que a avaliação deve ser diversificada, porque se trata de formar recursos humanos dotados de capacidade analítica e de instrumentos ligados à metodologia científica para aplicá-los a situações do cotidiano do mundo do trabalho, e não a situações que estão confinadas aos limites da ciência e da tecnologia em si”, considera Barone. Ele destaca que as iniciativas pioneiras mostraram um caminho possível a ser seguido, e um desdobramento disso é a possibilidade de criação de doutorados profissionais.

Os desafios da formação de professores

Ao falar sobre a formação de professores, o secretário afirma ser um tema central, mas bastante complexo. No centro dessa discussão, existem grupos que defendem uma formação muito focada nos fundamentos da educação e, no outro extremo, aqueles que acreditam que a formação deve ter seu foco no treinamento dos profissionais para o exercício da docência. Além disso, o secretário ressalta que há alguns conflitos entre as demandas dos campos específicos de formação e da própria área da educação.

“Encontrar uma chave para dar, ao mesmo tempo, identidade à formação de professores e, mais ainda, um programa formativo que lhes permita encontrar um meio termo é o grande desafio. Ganhar o degrau da institucionalidade e diluir a atomização das discussões é, para mim, uma das forças favoráveis à melhoria do processo de formação de professores”, observa Barone.

O secretário afirma que algumas políticas do ministério agregam um componente significativo de formação de professores ligado à atividade-fim. Barone vê uma alternativa que pode, na prática, ajudar a romper as dificuldades, que é a obrigatoriedade de proximidade dos estudantes de licenciatura com a escola. “Se isso se tornar uma regra, acho que vamos ganhar, com a prática, muitos terrenos. Vamos vencer muitos preconceitos, inclusive aqueles que são de natureza política. Não há a menor possibilidade de uma licenciatura funcionar sem que haja muita conexão com a escola básica”, conclui.

 


Criado em: May 15 2018 | Categoria: Notícias |